Quando faço café, o cheiro é maravilhoso. Perfuma o ar, porém o gosto não possui a mesma maravilha. Você é desse jeito. Enquanto eu te idealizava, você era o aroma. Nada era melhor. Bastou uma oportunidade. Uma. E você virou um café amargo... É, eu só gosto com açúcar e leite. E quente. Tá, eu aceito morno, mas detesto quando está frio e você é neve. Fico me perguntando como nunca pensei nessa possibilidade. Realmente devo ter sentido o aroma demais. O pior é que eu não sei o que faço agora. Jogo fora ou bebo gelado?


O mais estranho é que você é normal. Estranhamente normal, e eu não sei como lidar com isso. Era tudo mais fácil quando era apenas eu, te imitando mentalmente – e horrivelmente –, sua presença, sua personalidade e o teu jeito... Até o seu defeito era perfeito, e por isso que é/foi platônico. Se houvesse a oportunidade de ficarmos juntos, eu aceitaria na mesma hora, mas não duraria muito.
O gosto do café é diferente do cheiro.



https://www.youtube.com/watch?v=B4-nz0GPiJs



2 Comentários

  1. Parabéns pela crônica, Anna. Curta, mas sensível. Gostei mesmo.

    Sei o que é a necessidade imperiosa de expressar o que se sente, se pensa e o que se desconfia da própria vida. Também sou escritor, rs, embora meu forte, digamos assim, sem falsa modéstia, sejam os contos.

    Um abraço e, mais uma vez, parabéns.

    Roberto Camilotti: blog de literatura.

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    1. Obrigada, Rob! Escrever é a melhor forma de expulsar seus demônios... e cada um com o seu.
      Obs: ótimo blog.

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